Autor: Rudá Almeida

  • Coleção Professora Nobuco Kameyama

     

    NOBUCO KAMEYAMA (1940-2011)

    Professora Nobuko Kameyama. Fonte: PUC-SP, 2020.Descendente de japoneses, nasceu em 1940, no município de Lins, em São Paulo. Família modesta, de pequenos proprietários rurais, era a filha mais velha entre 8 irmãos. Nobuco recebeu o apoio e incentivo de seu avô paterno e de sua mãe para ingressar nos estudos. Seu primeiro emprego foi aos 17 anos, já na área social como Agente de Família, atendendo aos trabalhadores rurais e suas famílias, que eram expulsos do campo por conta da política de erradicação do café, no final da década de 50. Essa experiência influenciou seu ingresso, em 1959, na segunda turma do curso de Serviço Social na Faculdade de Serviço Social de Lins (FSSL), fundada em 1958 com o objetivo de oferecer assistência à população carente e aos demais problemas gerados pelo êxodo rural. Ao longo de toda a sua graduação, continuou trabalhando como Agente de Família e assim que concluiu o curso iniciou sua carreira docente na mesma faculdade em que se formou. 

    Como professora, aproximou-se do Movimento Estudantil, que estava ganhando força na época, e passou a questionar o currículo do curso, inconformada com a proposta e metodologia com que ensinava. Acreditava que os universitários não estavam sendo preparados para atuar na realidade, pois a teoria não atendia aos problemas sociais da época, como o êxodo rural e o aumento da mendicância em larga escala. Nesse mesmo período, foi convidada pelo bispo Dom Pedro Paulo Kopp – recém-chegado à Diocese de Lins – a coordenar o Plano Social da Igreja, que passava por grandes mudanças. Como fruto desse trabalho, foi uma das responsáveis pela criação do Instituto Paulista de Promoção Humana (IPPH) que atuava nas comunidades rurais e tinha por objetivo a capacitação e o crescimento socioeconômico dessa população. 

    Por conta do contexto político do Brasil na década de 60, a população rural sofria diversos problemas, principalmente devido à substituição da agricultura pela pecuária – o que gerava a demissão em massa de inúmeros trabalhadores do campo. Kameyama via de perto todas as dificuldades vividas por essa parte da população e atuava ativamente junto aos camponeses, buscando alianças e parcerias com estudiosos da área, com a Igreja Católica e diversas outras instituições. Com o início da ditadura militar no Brasil, em 1964, houve a derrubada de todos os trabalhos e movimentos sociais existentes e a expressa proibição de novas organizações. Em decorrência das inúmeras manifestações de resistência da população, bem como do movimento estudantil, foi instaurado o AI-5, no final de 1968. O projeto desenvolvido com a população rural de Lins e a própria FSSL tornaram-se alvo de vigilância e ataques, e com isso, Kameyama foi profundamente atingida. 

    Dois documentos foram redigidos – um denunciando a Ditadura e outro expondo os motivos reais da extinção do projeto – e assinados por diversas pessoas, dentre elas, Kameyama. Como consequência, ela passa por fortes investigações, sendo intimada a responder interrogatórios, além de ter sua casa invadida e, antes de ser presa, consegue sair do Brasil com o apoio do amigo Dom Paulo Kopp, bispo da Diocese de Lins. 

    Ao longo de seus anos de trabalho e comprometimento com a luta dos trabalhadores rurais, Kameyama se deparou com diversos questionamentos e inquietações, relacionados à teoria e prática de sua profissão. Sem poder retornar ao Brasil, instala-se na Bélgica, onde cursa especialização em Ciências Sociais. Posteriormente, muda-se para a França ingressando no mestrado e em seguida no doutorado, visando crescimento e aperfeiçoamento pessoal e intelectual. Durante os anos de exílio aproximou-se do marxismo e, com isso, passa a compreender melhor os conflitos da terra e dos camponeses, aprofundando seus estudos no movimento social, no conflito social da terra e nas relações de trabalho. Só no final de 1978 retorna ao Brasil.

    Na década de 80 – marcando o final da ditadura – houve um aumento significativo dos movimentos sociais no Brasil, que passaram a tratar de novos temas, como as questões das mulheres, dos negros, das crianças, entre outros. Nesse contexto, com todo o conhecimento adquirido, Kameyama contribuiu ativamente para o Serviço Social brasileiro, que se encontrava em processo de revisão em seu currículo para atender às inúmeras mudanças e transformações que ocorriam no país. No mesmo ano de seu retorno é nomeada diretora da Faculdade de Serviço Social de Lins (FSSL) em São Paulo, trazendo novos pontos de vista, metodologias e mudando toda a concepção tradicional do Serviço Social. Outras universidades também estavam em processo de revisão curricular e, a partir desse movimento nacional, foi aprovada a Resolução 6, de 23 de setembro de 1982, que implantava o novo currículo do curso. 

    Kameyama enxergava a prática do Serviço Social intimamente relacionada com a militância política; e o assistente social, comprometido com a classe trabalhadora. Foi peça fundamental na reestruturação do Serviço Social no Brasil, contribuindo e participando ativamente nesse processo. Faleceu em setembro de 2011, na cidade de São Paulo.

     

     

    1 Formação Acadêmica

    1959/1964 – Graduação em Serviço Social (FSSL – Faculdade de Serviço Social de Lins, SP).

    1970/1972 – Especialização em Ciências Sociais e Econômicas (Universite Catholique de Louvain, Bélgica).

    1972/1975 – Mestrado em Sociologia (École des Hautes Études en Sciences Sociales, França). Dissertação intitulada “A dinâmica da consciência entre os agricultores em uma região agrícola”.

    1975/1978 – Doutorado em Geografia Social (École des Hautes Études en Sciences Sociales, França). Tese intitulada “Ideologias de estrutura agrícola e movimento de agricultores no Brasil”.

     

     

     

    2 Atuação Profissional:

    1965/1966 – Professora auxiliar no Instituto Toledo de Ensino, atual Centro Universitário de Bauru, SP.

    1970/1971 – Professora visitante na FAL (Faculdade Auxilium de Filosofia, Lins/SP).

    1978/1985 – Professora adjunta na FSSL.

    1983/1993 – Professora adjunta na PUC-SP.

    1985/1989 – Professora adjunta na UFF.

    1987/1990 – Professora visitante na UFRJ.

    1990/1996 – Professora adjunta na UFRJ.

    1996/2011 – Professora titular na UFRJ.

    Iniciou sua carreira na UFRJ em 1987 como professora visitante e ao longo dos anos ocupou diversos cargos de destaque na Universidade, como o de vice-diretora da Escola de Serviço Social – ESS (1998-2002) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (2002-2004), contribuindo para um redimensionamento da pós-graduação na ESS e transformando-a em um centro de pesquisa de excelência, reconhecido no Brasil e no exterior. Nesse período também foi coordenadora de valiosos convênios com instituições nacionais e internacionais:

    – 1996/2003 – Convênio de cooperação acadêmica e intercâmbio técnico, científico e cultural entre UFRJ e Universidade da República, Montevideo/Uruguai.

    – 2002/2004 – Convênio de cooperação acadêmica e intercâmbio técnico, científico e cultural entre UFRJ e Universidade do Pará.

    – 2000/2005 – Projeto de cooperação acadêmica entre os programas de pós-graduação da UFRJ (equipe líder) e UFPE (equipe associada) – PROCAD/CAPES.

    Também atuou ativamente junto às agências de fomento ao estudo e pesquisa. Foi consultora (1983 a 1985) e representante da Área de Serviço Social (1995 a 1997) na CAPES, e em 1990 tornou-se consultora do CNPq.

     

     

    2.1 Disciplinas ministradas na UFRJ: 

    – Serviço Social e Política Social.

    – Teoria e Prática de Serviço Social.

    – Metodologia de Pesquisa em Serviço Socia

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    2.2 Linhas de Pesquisa:

    – École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1972 a 1978: Formulários de Acumulação e Modo de Industrialização.

    – PUC/SP, 1982 a 1993: Prática Profissional.

    – PUC/SP, 1983 a 1993: Poder Local e Movimentos Sociais.

     

     

    2.3 Áreas de Atuação:

    – Grandes Áreas: Ciências Humanas; Ciências Sociais Aplicadas.

    – Subáreas: Fundamentos do Serviço Social; Sociologia Rural; Políticas Rurais; Serviço Social Aplicado.

    – Especialidades: Política Agrícola; Estrutura Agrária; Movimentos Sociais dos Trabalhadores Rurais; Políticas Sociais Públicas e Privadas; Serviço Social do Trabalho.

     

     

     

    3 Textos Publicados

    Nobuco Kameyama apresentou inúmeros trabalhos – frutos de uma vida dedicada aos estudos e pesquisas na área – em palestras, conferências, seminários, congressos, exposições, entre outros eventos, em diversas instituições no Brasil e no exterior. Foi coordenadora de cursos de especialização; participou de diversas bancas examinadoras e orientou alunos de graduação, mestrado e doutorado. A seguir, destacamos parte de sua produção bibliográfica.

     

    3.1 Artigos:

    KAMEYAMA, N. Crise e reestruturação no capitalismo tardio: elementos pertinentes para o Serviço Social. Revista Praia Vermelha: estudos de política e teoria social, Rio de Janeiro, n.16/17, p. 228-277, 2007. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    KAMEYAMA, N. Direito ao trabalho ou abolição do sistema de trabalho assalariado. Revista do Programa de Mestrado em Serviço Social da PUC/RJ, Rio de Janeiro, 2005.

     

    KAMEYAMA, N. O papel da pós-graduação e da pesquisa na formação profissional. Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, Brasília, v. 8, 2004.

     

    KAMEYAMA, N. Ética empresarial. Revista Praia Vermelha: estudos de política e teoria social, Rio de Janeiro, v. 11, p. 148-166, 2004. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    KAMEYAMA, N. A nova configuração das políticas sociais. Revista Praia Vermelha: estudos de política e teoria social, Rio de Janeiro, v. 5, p. 197-215, 2002.

     

    KAMEYAMA, N. As tendências da gestão da força de trabalho nas empresas brasileiras. Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, Brasília, v. 6, p. 23-38, 2002.

     

    KAMEYAMA, N. Filantropia empresarial e entidades da sociedade civil: o trabalho do assistente social e as políticas sociais, Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, Brasília, v. 04, 2001.

     

    KAMEYAMA, N. A trajetória da produção de conhecimentos em serviço social: avanços e tendências. Cadernos ABESS, São Paulo, v. 8, p. 33-76, 1998.

     

    KAMEYAMA, N. Proposta básica para o projeto de formação profissional. Serviço Social e Sociedade, São Paulo, v. 50, p. 143-152, 1996.

     

    KAMEYAMA, N. Metodologia: uma questão em questão: 1. concepção de teoria e metodologia. Cadernos ABESS, São Paulo, n.3, p. 99-116, 1995. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    KAMEYAMA, N. La politica de l’assistência: la antinomia entre la ideologia dominada. Accion Critica, Lima, v. 30, p. 13-41, 1992.

     

    KAMEYAMA, N. Opposition entre l’ideologia des classes dominantes e I’ideologie dominee. Transformations Sociales et Dynamique Culturelle, Paris, v. 1, n.1/2, p. 15-31, 1989.

     

    KAMEYAMA, N. Articulação da política social com o desenvolvimento econômico e o serviço social. Debates Sociais, Rio de Janeiro, v. 47, n.1/2, p. 41-53, 1988.

     

    KAMEYAMA, N. A fala dos trabalhadores sobre o plano nacional de referência agrária. ABRA/ CEDEC, São Paulo, v. 1, n.1/2, p. 147-151, 1985.

     

    KAMEYAMA, N. A prática na formação profissional. Serviço Social e Sociedade, São Paulo, v. 6, n.1/2, p. 29-32, 1981.

     

    KAMEYAMA, N. Problemas do oeste paulista. Revista de Cultura Vozes, Rio de Janeiro, v. 8/ 63, p. 675-716, 1969.

     

    3.2 Livros:

    KAMEYAMA, N. et al. Transformations sociales et dynamique culturelle. Paris: Éditions du Centre National de la Recherche Scientifique, 1981. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    3.3 Capítulos de livros:

    KAMEYAMA, N. Prefácio. In: SCHOONS, S. M. (org.). A Assistência na ordem e na desordem. São Paulo: Cortez, 1999, v. 1.

     

    KAMEYAMA, N. Notas introdutórias para a discussão sobre reestruturação produtiva e Serviço Social. In: MOTA, A. E. (org.). A nova fábrica de consensos. São Paulo: Cortez., 1998, p. 7-22. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    KAMEYAMA, N. Assistência como direito social e ampliação da cidadania. In: SCHOONS, S. M. (org.). Assistência Social entre a ordem e “des-ordem”: mistificação dos direitos sociais e da cidadania. São Paulo: Cortez, 1998, p. 9-21. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    3.4 Trabalhos completos publicados em eventos:

    KAMEYAMA, N. A construção da pós-graduação em Serviço Social no Brasil e Cone Sul e suas contribuições para a formação de docentes e produção do conhecimento: balanço crítico. In: OFICINA NACIONAL DA ABEPSS; O ENSINO DO TRABALHO PROFISSIONAL DESAFIOS PARA A AFIRMAÇÃO DAS DIRETRIZES CURRICULARES E DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO E O ENCONTRO DAS UNIDADES DE ENSINO DO CONE SUL; A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL, 2004, Florianópolis. Anais […]. Florianópolis: Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, 2004.

     

    KAMEYAMA, N. Direito ao trabalho e as políticas públicas de geração de emprego e/ou renda. In: JORNADA DE PESQUISADORES DA ABEPSS/REGIÃO LESTE, 1., 2004, Brasília. Anais […] Brasília: Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, 2004.

     

    KAMEYAMA, N. Direito ao Trabalho ou Fim da Sociedade Salarial. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 11.; ENCONTRO NACIONAL DE SERVIÇO SOCIAL E SEGURIDADE, 3., 2004, Fortaleza. Anais […] Fortaleza: Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, 2004.

     

    KAMEYAMA, N. Novas formas de gestão da força de trabalho. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM SERVIÇO SOCIAL, 8., 2003, Juiz de Fora. Anais […] Juiz de Fora: UFJF, 2003.

     

    KAMEYAMA, N. Ética empresarial. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ÉTICA E DIREITOS HUMANOS, 2003, Rio de Janeiro. Anais […] Rio de Janeiro: UFRJ, 2003.

     

    KAMEYAMA, N. Terceiro Setor e Políticas Sociais Empresariais. O Serviço Social e a Questão Social, Brasília, v.2, p. 245-254. Trabalho apresentado no 7. Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social, Brasília, 2000.

     

    KAMEYAMA, N. Representações do trabalho e os modelos de gestão e assistência empresarial. In: JORNADA DE PESQUISADORES EM CIÊNCIAS HUMANAS, 5., 1999, Rio de Janeiro. Anais […] Rio de Janeiro: UFRJ, 1999.

     

    KAMEYAMA, N. Serviço Social no século XXI: tendências e problemas contemporâneos. In: SEMANA DO ASSISTENTE SOCIAL, 1998, Curitiba. Anais […] Curitiba: Conselho Regional de Serviço Social., 1998.

     

    KAMEYAMA, N.. Catálogo de teses de doutorado e dissertações de mestrado da área de Serviço Social: 1974/1995. In: ENCONTRO NACIONAL DOS PESQUISADORES EM SERVIÇO SOCIAL, 5., 1996, Rio de Janeiro. Anais […] Rio de Janeiro: UFRJ, 1996.

     

    KAMEYAMA, N. A formação profissional do assistente social no Brasil: indicações diagnósticas. In: SEMINARIO TALLER: ALAETS: DESAFIOS ATUALES, FUTUROS, 1990, Colômbia. Anais […] Colômbia: ABESS/CEDEPSS, 1990.

     

    KAMEYAMA, N. Política agrária e movimentos sociais rurais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 5., 1985, São Paulo. Anais […] São Paulo, 1985.

     

     

     

    4 Outras informações

    professora nobuko kameyama dez2010Dez/2010 – Nobuco Kameyama recebe homenagem durante o XII ENPESS (Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social), realizado na UERJ. Fonte: CFESS.

     

    25/11/2015 – O Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Identidade (NEPI) do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUC-SP realizou o “Colóquio sobre o legado de Nobuco Kameyama”. Estiveram presentes professores, pesquisadores e alunos da graduação e pós-graduação. Fonte: PUC-SP.

     

     

     

     

    Fontes consultadas:

    CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Nobuco presente! Disponível em: http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/628. Acesso em: 03 abr. 2020.

     

    KAMEYAMA, N. Currículo Lattes. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2347241866383070. Acesso em: 02 abr. 2020.

     

    ROSA, E. T. S. História e memória em Serviço Social: a trajetória profissional de Nobuco Kameyama. 2016. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/19096/4/Elizabete%20Terezinha%20Silva%20Rosa.pdf. Acesso em: 01 abr. 2020.

     

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Escola de Serviço Social divulga nota de pesar pelo falecimento de Nobuco Kameyama. Disponível em: https://ufrj.br/noticia/2015/10/22/escola-de-servi-o-social-divulga-nota-de-pesar-pelo-falecimento-de-nobuco-kameyama

     

     

  • Coleção Professora Maria Inácia D’Ávila Neto

     

    MARIA INÁCIA D’ÁVILA NETO

    professora maria incia davila neto

     

     

     

     

     

     

     

     

    1 Formação Acadêmica

    1964/1967 – Graduação em Psicologia (UFRJ).

    1969/1970 – Mestrado em Psicologia Social Clínica e Psicologia Clínica (Université Paris Diderot, França). Dissertação intitulada “Notas de pesquisa sobre atitudes de uma equipe de ensino médico-educacional”.

    1971/1978 – Doutorado em Psicologia Social (Université Paris Diderot, França). Tese intitulada “A condição feminina no Brasil em um ambiente urbano: pesquisa sobre a gênese de atitudes autoritárias em relação às mulheres na sociedade contemporânea”.

    1989/1990 – Aperfeiçoamento em Desenvolvimento de Pesquisa (Ecoles des Hautes Etudes en Sciences Sociales, França). Título “Treinamento Avançado em Pesquisa em Ciências Sociais”.

    1989/1990 – Pós-Doutorado (Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales, França).

    2007/2008 – Pós-Doutorado (Laboratoire Européen de Psychologie Sociale, França).

     

     

    2 Atuação Profissional:

    1971/1978 – Professora Assistente (Universidade de Brasília/UNB).

    1979/1981 – Professora Colaboradora (Universidade Gama Filho, RJ).

    1979/2015 – Professora Assistente (1979/1981), Adjunta (1981/1996) e Titular (1996/2015) na UFRJ.

    1994/2015 – Consultora e Pesquisadora (UNESCO).

    2000/2002 – Professora Pesquisadora (Pós-Graduação, Ecoles des Hautes Etudes en Sciences Sociales, França). 

    2006/2006 – Professora Visitante (Pós-Graduação, Université de Lille, França).

    2010/2014 – Membro do Conselho (Comitê de Pesquisa, International Sociological Association, Madri).

    Ingressou na UFRJ em 1979 como professora assistente, tornando-se titular em 1996. Atuou em diversos setores no Instituto de Psicologia (IP), destacando-se como diretora no período de 1994 a 2003. Com muita dedicação e competência, sempre esteve envolvida em diversos projetos, visando a excelência na qualidade do ensino e da pesquisa. Em 1992 criou o EICOS – Programa de Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social – e nele trabalhou incansavelmente, apresentando uma proposta pioneira no campo da psicologia social, visando a formação acadêmica, o desenvolvimento de pesquisas científicas e a capacitação de agentes psicossociais em processos de intervenção e inserção comunitária. Por conta de seu caráter inovador foi reconhecido em âmbito nacional e internacional, e no ano de 1993 obteve a Cátedra UNESCO de Desenvolvimento Durável, conquistando também o Unitwin Award, em 2003, como único vencedor em toda a América Latina na área de Ciências Sociais. Além disso, conquistou convênios com universidades e centros de pesquisas em diversos países, projetando o nome do Instituto no Brasil e no exterior. 

    Em 1994 tornou-se consultora e pesquisadora da UNESCO, onde participou de pesquisas e consultorias técnicas especializadas nas Divisões de Desenvolvimento Cultural e Ensino Superior, atendendo aos setores de Ciências Humanas e Sociais e Políticas Culturais. Ao longo dos anos, foi convidada para atuar em diversos eventos promovidos pela UNESCO na qualidade de professora.

    Entre os anos de 2000 e 2006 foi convidada pelo Ministério da Educação, Pesquisa e Tecnologia da França para atuar como docente visitante na Pós-Graduação da Ecoles des Hautes Etudes en Sciences Sociales e da Université de Lille, onde proferiu seminários, ministrou aulas e coordenou projetos de pesquisa. 

    De 2010 a 2014 foi indicada como membro do conselho da RC 26 (Research Committee on Sociotechnics – Sociological Pratice) da ISA (International Sociological Association). A RC 26 é um comitê de pesquisa no campo da Sociotecnologia, fundado em 1971 para incentivar a disseminação internacional e o intercâmbio de informações sobre desenvolvimentos significativos na área e promover o desenvolvimento de atividades científicas nesse campo em todo o mundo.

     

    2.1 Disciplinas ministradas na UFRJ: 

    – Graduação:    Psicologia Social I e II; Semiologia Institucional; Técnicas de Vídeo aplicadas à pesquisa.

    – Pós-Graduação: Psicologia institucional; Psicologia Social; Gênero e Desenvolvimento; Estudos de Caso; Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social; Tópicos Especiais em Metodologia; Pesquisa Tese; Representações Sociais do Corpo; Tópicos Especiais em Ecologia Social

     

    2.2 Projetos de Pesquisa:

    – 1994/2009 – Mulheres, Cultura e Desenvolvimento. Objetivo: analisar a memória cultural de mulheres, as representações do seu cotidiano doméstico e público, e suas relações com as questões de desenvolvimento social e cultural. Engloba o estudo de aspectos psicossociológicos das questões de gênero e identidade feminina, cidadania e direitos da mulher, e as interseções de gênero, classe e raça. 

    – 2001/2015 – Imagem e Quotidiano: análise metodologia da imagem, para ver, conhecer, fazer e narrar o quotidiano. Objetivo: reunir os trabalhos do Laboratório de Imagens do programa EICOS, em torno do registro visual e sua análise, aplicados à pesquisa psicossociológica do cotidiano, seus estilos de vida, representações e fazeres, com temáticas englobando as questões de gênero, grupos minoritários, intergeracionais, as representações do corpo no espaço urbano, o espaço público e doméstico. 

    – 2004/2015 – Memória cultural, invenção do quotidiano urbano, metodologias narrativas e participação. Objetivo: estudar o cotidiano urbano e a construção da memória coletiva e imaginário cultural popular de grupos específicos como mulheres, velhos, jovens, deficientes, doentes, grupos étnicos e desfiliados sociais. Engloba questões relativas à participação, educação e táticas populares, além de estratégias de emancipação, reconhecimento e solidariedade.

    – 2008/2015 – Desenvolvimento durável, desigualdades e justiça social: a parte das mulheres na busca pelo reconhecimento social na globalização. Objetivo: contempla a luta das mulheres submetidas a condições de desigualdade na busca pelo reconhecimento social, tanto no Brasil (mulheres que migraram para as cidades em busca de melhores condições de vida), como na França (mulheres migrantes oriundas da África subsaariana), e compara os resultados, visando uma melhor compreensão da luta pela justiça social.

    – 2010/2015 – Mulheres em Movimento: hibridismo e identidade diaspórica em deslocamentos femininos. Objetivo: desenvolver pesquisas com mulheres migrantes brasileiras de diferentes gerações. Contribuir para a questão dos deslocamentos de mulheres nordestinas em busca de melhores condições socioeconômicas no Sudeste, traçando redes de apoio e solidariedade e evidenciando as importantes questões que englobam migração, pobreza e gênero, dentro do contexto da globalização contemporânea.

    – 2011/2015 – Mobilização, Participação Social, Ativismo online e a Política Ambiental: as temáticas do desenvolvimento sustentável nas comunidades digitais brasileiras. Objetivo: investigar de forma empírica e sistematizada o contexto social da política ambiental através dos registros produzidos e divulgados em comunidades digitais brasileiras na Internet em especial quanto às dinâmicas da mobilização, participação social e o ativismo online em torno da questão ambiental.

    – 2012/2015 – Reconhecimento, Justiça Social e Dinâmicas Identitárias de Mulheres Migrantes: um estudo cooperativo França-Brasil (adaptação do projeto “Mulheres em Movimento”).

     

    2.3 Áreas de Atuação:

    – Grande Áreas: Ciências Humanas.

    – Subáreas: Psicologia Social.

    – Especialidades: Estudos de Mulheres – Condição Feminina; Psicossociologia de Comunidades; Ecologia Social; Desenvolvimento Social e Cultura de Comunidades; Meio Ambiente e Desenvolvimento; Técnicas de Vídeo e Metodologia Participativa em Pesquisa Psicossocial.  

     

     

    3 Textos Publicados

    Com uma vida dedicada à excelência na pesquisa e no ensino, sua produção acadêmica é de grande relevância para a área da Psicologia Social. Além da bibliografia detalhada anteriormente, Maria Inácia possui cerca de 80 trabalhos publicados em anais de congresso, atuou – como coordenadora, organizadora ou palestrante – em mais de 70 eventos, entre congressos, seminários, palestras, feiras, exposições, entre outros, no Brasil e no exterior. Participou de inúmeras bancas examinadoras, como orientadora ou supervisora, nos níveis de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Em 2015, ano de seu falecimento, atuava em alguns trabalhos e pesquisas, incluindo supervisões e orientações que estavam em andamento. A seguir, destacamos parte de sua produção bibliográfica.

     

    3.1 Artigos:

    D´AVILA NETO, M. I.; CAVAS, C. S. T.; JARDIM, G. S. La décolonisation des femmes et de la nature: exercices sages pour réfléchir `a propos des femmes et de l’ écologie. Revue Emulations, Bruxelas, v. 14, p. 49-68, 2015.

     

    CAVAS, C. S. T.; D´AVILA NETO, M. I. Atravessando fronteiras: um estudo sobre mães-de-santo e a África imaginada nos terreiros de candomblé do Rio de Janeiro. Revista Latino-americana de Geografia e Gênero, Paraná, v. 6, p. 52-70, 2015.

     

    D’ÁVILA NETO, M. I.; SANTAMARINA, C. V. F. da C. Uma reflexão sobre o hibridismo cultural e o processo Identitário de ciganas calins nômades no Rio de Janeiro. Interthesis, Florianópolis, v. 12, p. 228, 2015.

     

    BARBOSA, V. L. E.; D´AVILA NETO, M. I. Mulheres e artesanato: um oficio feminino no povoado do Bichinho/Prados-MG. Revista Ártemis: Estudos de Gênero, Feminismo e Sexualidades, Paraíba, v. 17, p. 44-52, 2014.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; REVOLLO, C. Desplazamiento y nuevas identidades en la migracion. Revista Tramas, Paraná, v. 37, p. 13-31, 2013.

     

    CONILH DE BEYSSAC, M. L. T.; D´AVILA NETO, M. I. Paradise is just two clicks away: the imaginary of nature that emerges from digital trash. The International Journal of Interdisciplinary Social Sciences, Estados Unidos, v. 6, p. 45-56, 2013.

     

    CAVAS, C. S. T.; D´AVILA NETO, M. I. A diáspora negra: como as mulheres recriaram através da religião a África ‘imaginada’ no Brasil de todos os santos. Fazendo Gênero 9: Diásporas, Diversidades, Deslocamentos, Santa Catarina, v. 10, p. 1-9, 2013.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; CAVAS, C. Diáspora negra: desigualdades de gênero e raça no Brasil. Revista Latino-americana de Geografia e Gênero, Paraná, v. 2, p. 01-09, 2011.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; ANDRADE, R.; CAVAS, C. La cuisine des dieux: la diaspora noire et des pratiques alimentaires brésiliennes. Hommes & Migrations, França, v. 1283, p. 108-116, 2010.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; BAPTISTA, C. M. A. Páthos e o sujeito feminino: considerações sobre o processo de construção narrativa identitária de mulheres de grupos culturalmente minoritários. Pesquisas e Práticas Psicossociais, Minas Gerais, v. 2, p. 2-10, 2007.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; LAGES, S. R. C. Vida cigana: mulheres, possessão e transgressão no terreiro de Umbanda. Pesquisas e Práticas Psicossociais, Minas Gerais, v. 2, p. 11-16, 2007.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; BEYSSAC, M. L. T. C. de. Em busca do paraíso perdido: estudo de Imagens “mensagens do natural”. Revista Brasileira Gaia Scientia, Paraíba, v. 2, p. 115-126, 2007.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; NAZARETH, J. C. . Globalization and women’s employment. Peace Review, Califórnia, v. 17, n. 2-3, p. 215-220, 2005.

     

    D´AVILA NETO, M. I.. La participación ambigua. Courrier de la Planète, França, v. 74, n. 3, p. 41-43, 2005.

     

    D´AVILA NETO, M. I.. Ambiguous participation. Courrier de la Planète, França, v. 74, n. 3, p. 41-43, 2005.

     

    ALLEN, G. J.; D´AVILA NETO, M. I.; SJOBERG, J. Mostra de Cinema etnográfico. Review Newsletter Of Nordic Anthropological Film Association, Noruega, p. 11-15, 2005.

     

    D´AVILA NETO, M. I.. La participation ambiguë. Courrier de la Planète, França, v. 74, n. 4, p. 41-43, 2004.

     

    D´AVILA NETO, M. I. A porta, a ponte e a rede. Série Documenta EICOS, Rio de Janeiro, v. 8, n. 12/13, p. 13-25, 2001. 

     

    D´AVILA NETO, M. I.; PIRES, C. B. S. Empoderamento: uma questão no projeto de equidade de gênero no Brasil. Ucla Journal Of Latin American Studies, Los Angeles, 1999.

     

    D´AVILA NETO, M. I.. Paradigmas da Psicologia Social para a América Latina. Série Documenta EICOS, Rio de Janeiro, v. 6, n. 9, p. 27-40, 1999.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Ecofeminismo: novos horizontes. Série Documenta EICOS, Rio de Janeiro, v. 6, n. 8, p. 23-50, 1999.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Introdução ao número especial Sociedade e Ecologia. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 50, 1998.

     

    D´AVILA NETO, M. I.. Empoderamento: uma questão atual no projeto de equidade de gênero no Brasil. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 50, n. 4, p. 14-21, 1998.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Os novos pobres e o contrato social: receitas de desenvolvimento, igualdade e solidariedade. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 50, n. 4, p. 7-13, 1998.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Ecofeminismo: horizontes contemporâneos. Série Documenta EICOS, Rio de Janeiro, v. 5, n. 8, p. 9-25, 1997. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. Representações sociais do corpo na sociedade brasileira. Revista de Psicologia e Práticas Sociais, [s. l.], v. I, n. 4, p. 91-98, 1995.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Ecologia, feminismo e poder: ainda algumas reflexões. Série Documenta EICOS, Rio de Janeiro, n. 1, p. 148-155, 1993. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. Ettori Gelpi: por uma educação permanente. Cadernos do Laboratório de Psicologia Social Clínica, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 9-15, 1989.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; MACIEL, T. M. de F. B.; GELPI, E. Educação para e através do Pantanal. Cadernos do Laboratório de Psicologia Social Clinica, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 68-77, 1989.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Enquete participativa com mulheres desfavorecidas e sua concepção sobre desenvolvimento cultural. Revista Fórum Educacional, Rio de Janeiro, v. 2, n. 4, p. 56-70, 1987.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Enquete participativa com mulheres desfavorecidas e sua concepção sobre desenvolvimento cultural. Revista Fórum Educacional, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 9-15, 1987.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Ecologia, feminismo e poder: trajetória político simbólica das utopias verdes. Cadernos do Laboratório de Psicologia Social Clinica, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 84-95, 1986.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Psicologia Social Clínica: uma biografia comentada. Cadernos do Laboratório de Psicologia Social Clinica, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 39-49, 1985.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; WINGE, S. Desenvolvimento de um programa de psicologia aplicada à comunidade. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 28, n. 1, p. 69-82, 1976.

     

    3.2 Livros:

    MACIEL, T. M. de F. B.; D´AVILA NETO, M. I.; ANDRADE, R. G. N. Fronteiras e diversidades culturais no século XXI: desafios para o reconhecimento do estado Global. Rio de Janeiro: Mauad: FAPERJ, 2012. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. Minha lição de anatomia (e a dos outros). Rio de Janeiro: Mauad, 2005.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; PEDRO, R. M. L. R. (org.) Tecendo o Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Mauad, 2003. 

     

    D´AVILA NETO, M. I. Apresentação da coleção EICOS. Rio de Janeiro: Mauad, 2003. 

     

    D´AVILA NETO, M. I.; PEDRO, Rosa Maria Leite Ribeiro. Tecendo o Desenvolvimento: saberes, gênero, ecologia social. Rio de Janeiro: Mauad, 2003. 

     

    D´AVILA NETO, M. I.; GARCIA, C. A. (org.). Mulher, cultura e subjetividade. Rio de Janeiro: ANPEPP, 1997. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. Social development: challenges and strategies. Rio de Janeiro: UNESCO: UFRJ/EICOS, 1995. (Disponível na Biblioteca do CFCH) 

     

    D´AVILA NETO, M. I. Desenvolvimento social: desafios e estratégias. Rio de Janeiro: UNESCO: UFRJ, 1995. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. Introdução ao Desenvolvimento Social: desafios. Rio de Janeiro: [s.n.], 1995. 

     

    D´AVILA NETO, M. I. Mulheres brasileiras, memórias mutiladas: ensaios bem-comportados sobre mulheres, seus gestos, sua memória. Rio de Janeiro: UFRJ/EICOS, 1994. 

     

    D´AVILA NETO, M. I. O autoritarismo e a mulher: o jogo da dominação. 2a. ed. Rio de Janeiro: Artes e Contos, 1994. 

     

    D´AVILA NETO, M. I. Memorial de Maria Inácia D’Ávila Neto. [S.l.: s.n], 1994. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I.; VASCONCELOS, N. (org.). Ecologia, feminismo, desenvolvimento. Rio de Janeiro: UFRJ/EICOS, 1993.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Enquete participation sur les femmes bresiliennes dun milieu desfavorise et leur conception sur le developpement culturel; etude monographique. Paris: UNESCO, 1989.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; MACIEL, T. M. de F. B. Creation des noyaux educatifs et communautaires dans le pantanal: rapport de recherche: etude monographique. Paris: UNESCO, 1986.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; MACIEL, MACIEL, T. M. de F. B. Sinuelo projet de recherche action pour l’animation culturel communautaire du Pantanal-MS: etude monographique. Paris: UNESCO, 1985.

     

    D´AVILA NETO, M. I. A negação da deficiência: a instituição da diversidade. Rio de Janeiro: Achiame, 1984. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. O autoritarismo e a mulher: o jogo da dominação macho-fêmea no Brasil. Rio de Janeiro: Achiame, 1980. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    BACKES-THOMAS, M.; NASSER, M.; D´AVILA NETO, M. I. Teste dos três personagens: contribuição ao estudo dos métodos projetivos. Rio de Janeiro: Zahar, 1974. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    3.3 Capítulos de livros:

    D´AVILA NETO, M. I.; CAVAS, C. Frontières: pour une épistémologie de la notion. In: Bernd, Z.; Dei-Cas, N. (org.). Glossaire des mobilités culturelles. Bruxelas: Peter Lang, 2014, p. 203-216.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; NAZARETH, J. Mulheres migrantes nordestinas e suas redes de conterrâneos: além das estratégias cotidianas de sobrevivência. In: COSTA, S. L.; MENDES, R. (org.). Redes Socias Territoriais. São Paulo: UNIFESP, 2014, p. 97-114.

     

    IRVING, M. A.; D´AVILA NETO, M. I. ; MACIEL, T. M. de F. B.; CONILH DE BEYSSAC, M. L. T. L’ approche brésilienne de l’ ecologie sociale: propos sur la relation nature-societe. In: CHARDEL, P.; REBER, B. (org.). Ecologie Sociales: le souci du commun. Lyon: Paragon, 2014, p. 91-110.

     

    BEYSSAC, M. L. T. C.; D´AVILA NETO, M. I.; IRVING, M. A. L’ imaginaire de la foret amazonienne au Bresil: carte culturelle surui sur Google Earth. In: HARPET, C.; BILLET, P.; PIERRON, J. P. (org.). A l’ ombre des forets: usages, images et imaginaires de la foret. Paris: L’Harmattan, 2014, p. 121-145.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; DELVIGNE, A. D.; NAZARETH, J. C. Immigration women: feminism, recognition and social justice in France and Brazil. In: BONIFÁCIO, G. (org.). Feminism and migration: cross cultural engagements. London: Springer, 2012, p. 209-226. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I.; BEYSSAC, M. L. T. C. de. A la recherche du paradis perdu: narratives post-coloniales de l´autre: le développement en jeux de miroirs. In: PIERRON, J. P.; PARIZEAU, M. H. (org.). Repenser la nature: dialogue philosophique Europe, Asie, Amériques. Quebec: Les Presses de l´Université Laval, 2012, p. 357-374.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; CONILH DE BEYSSAC, M. L. T. The paradise is a double click away: is youtube a new Noah´s ark? In: TSOBANOGLOU, G. O. (org.). The politics of participation and empowerment: current issues and praticies. Hildersheim: Verlag fur Gesellschaft, 2012, p. 289-311.

     

    CONILH DE BEYSSAC, M. L. T.; D´AVILA NETO, M. I. Communities in network: youtube, the new Noah´s ark? In: SERRANO-GARCIA, I.; PEREZ-JIMENEZ, D.; RESTO-OLIVO, J.; FIGUEROA-RODRIGUEZ, M. (org.). Psicologia comunitaria internacional: aproximaciones a los problemas sociales contemporaneos. Puebla: Universidad IberoAmericana de Puebla, 2012, p. 197-212. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I.; PERES, S. G. O.; JARDIM, G. S. Développement, femmes, migration: les enjeux de la mondialisation et la quete de la reconnaissance sociale. In: SAIAS, T.; STARK, W.; FRYER, D. (org.). Community psychology, common values, diverses pratices. Saint Cloud: AFPC, 2011, p. 107-109.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; NAZARETH, J. Female migration in Brazil and survival strategies of daily living. In: SAIAS, T.; STARK, W.; FRYER, D. (org.). Community psychology, common values, diverses pratices. Saint Cloud: AFPC, 2011, p. 150-152.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; CAVAS, C. La diaspora noire: migration forcée et les inegalités de genre et race. In: SAIAS, T.; STARK, W.; FRYER, D. (org.). Community psychology, common values, diverses pratices. Saint Cloud: AFPC, 2011, p. 93-96.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; PIRES, C. B. S.  Empowerment or powersharing?: considerations on the project of gender equity in Brazil. In: KEARNEY, M. L. (org.). Women, power and the academy: from rethoric to reality. New York: Berghahn Books; UNESCO Publishing, 2001, p. 52-59.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Paradigmas da psicologia social para América Latina. In: CAMPOS, R. H.; GUARESCHI, P. (org.). Paradigmas de psicologia social: perspectiva Latino Americana. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 88-100.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Femmes et developpement: la force de l’ombre. In: RONNING, A. H.; KERANEY, M.L. (org.). L’Université au Féminin. Paris: Femme Plus: UNESCO, 2000, p. 89-114. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    D´AVILA NETO, M. I. Redimensionando e reordenando mudanças sociais no próximo século. In: MOTTA, M. E; CARNEIRO, T. F. (org.). A psicologia em contexto. Rio de Janeiro: PUC/RJ: CNPq, 1996, p. 209-217.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Women and development: challenges within university curriculum. In: KEARNEY, M. L. (org.). Women and university curriculum: gender issues. Londres; PARIS: Jessica Kingsley Publisher: UNESCO, 1996, p. 69-90.

     

    MACIEL, T. M. de F. B.; D´AVILA NETO, M. I. Pantanal, trajet d’une recherche. In: PRONOVOST, G.; DONFUT, A.; SAMUEL, N. (org.). Temps libre et modernite: melanges en l’honneur de joffre dumazedier. Quebec: Presses Universitaires Quebec, 1993, p. 263-277.

     

    D´AVILA NETO, M. I.; MACIEL, T. M. de F. B. Pantanal: um eco desenvolvimento necessário. In: MACIEL, T. (org.). O ambiente inteiro: a contribuição crítica da universidade: a questão ambiental. Rio de Janeiro: UFRJ, 1992, p. 69-90. (Disponível na Biblioteca do CFCH)

     

    3.4 Textos em jornais/revistas:

    D´AVILA NETO, M. I. Por uma educação permanente. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 23 set. 1999. Jornal do Professor.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Um lugar para viver: o trabalho de Maud Manonni. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 09 set. 1981. Jornal do Professor.

     

    D´AVILA NETO, M. I. O Autoritarismo e a Mulher Brasileira. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 set. 1980.

     

    D´AVILA NETO, M. I. Tendência a agrupar. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 jan. 1979.

     

    D´AVILA NETO, M. I. História dinâmica. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 out. 1978.

     

     

    4 Outras informações

    06/12/2006 – Professora Maria Inácia D’Ávila Neto participa da mesa de abertura do II Seminário Áreas Protegidas e Inclusão Social (II SAPIS). Realizado no Salão Pedro Calmon (FCC/UFRJ). Fonte: UFRJ.

     

    27/04/2016 – Realização do “Seminário Internacional Interdisciplinar Comunidades e Ecologia Social: Homenagem à Professora Maria Inácia D’Ávila Neto”, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE/UFRJ). O evento foi organizado pela EICOS/UFRJ e pela Cátedra UNESCO de Desenvolvimento Durável/UFRJ, e contou com a participação de professores e pesquisadores nacionais e internacionais na mesa de debate, destacando Denise Jodelet (EHESS/França – Professora honoris causa pela UFRJ) e Norah Dei-Cas (Professora Emérita, representando a Université de Lille/França).

     

     

    Fontes consultadas:

    D’AVILA NETO, M. I. Currículo Lattes. Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783349U3. Acesso em: 10 abr. 2020.

     

    PROGRAMA EICOS. Quem somos? Disponível em: http://pos.eicos.psicologia.ufrj.br/pt/home/apresentacao-2/. Acesso em: 11 abr. 2020. 

     

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. IP-UFRJ informa o falecimento da professora Maria Inácia D’Ávila Neto. Disponível em: http://www.cfch.ufrj.br/index.php/27-noticias/624-nota-de-falecimento-da-professora-maria-inacia-d-avila-neto. Acesso em: 11 abr. 2020.

     

     

     

  • Coleção CIEC

     

    COORDENAÇÃO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS CONTEMPORÂNEOS (CIEC)

    O CIEC é  vinculado a Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi fundado em 1986, por Heloisa Helena Oliveira Buarque de Hollanda – professora emérita pela ECO/UFRJ, atualmente é coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), vinculado ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Letras/UFRJ – recém-chegada ao Brasil após três anos nos Estados Unidos, onde cursou seu pós-doutorado em Sociologia da Cultura (Columbia University). Sua motivação principal foi incluir no campo da Comunicação todas as novas identidades que estavam ganhando força na época e ingressando na universidade, como as mulheres e os negros. 

    O objetivo inicial do grupo era documentar e analisar a produção cultural contemporânea, com ênfase no Brasil. Nos primeiros anos de atuação do CIEC, por conta de sua experiência na academia americana, Heloísa Buarque de Hollanda recebeu muito apoio e contou com a participação de alguns personagens, inclusive estrangeiros. O grupo gerou muitas pesquisas nacionais e internacionais, sempre aliadas a projetos de intervenção – a “pesquisa-ação”, caracterizada pela colaboração e negociação entre especialistas e práticos, integrantes da pesquisa. Com isso, muito material de qualidade foi publicado, gerando um grande e rico acervo com informações relevantes dos acontecimentos da época. 

    Dentre as diversas produções do CIEC, pode-se destacar as coleções: “Papéis Avulsos”, “Quase Catálogo” e “Documentos”, que abordam assuntos e apresentam relatos inéditos e importantes, como a história da televisão até 1962, período que até então não havia sido registrado, pois tudo era produzido ao vivo. O primeiro volume da série Quase Catálogo – “Realizadoras de Cinema no Brasil (1930/1988)”, publicado em 1989, relaciona 195 realizadoras brasileiras e 479 títulos, além de reunir informações sobre cineastas e filmes que, em sua maioria, não figuram nos livros de história do cinema. O CIEC também foi responsável pela cobertura e registro de todos os eventos e exposições relacionados ao Ano Internacional das Mulheres (1975), bem como à Década da Mulher (1975 a 1985). Em 1988 desenvolveu o “Projeto Abolição”, com o objetivo de estudar a questão racial na arte brasileira e registrar as comemorações de cem anos da abolição no país. Esse material gerou acervo importantíssimo para a área, apresentando o cenário brasileiro sobre o tema naquele ano. Como resultado das pesquisas realizadas, a produção do CIEC é considerável e apresenta-se em formatos variados contendo relatos escritos, imagens, áudios, entre outros. 

    Com o passar do tempo, o foco das pesquisas do CIEC deslocou-se para a linha de estudos culturais e ultimamente vêm resgatando a noção de contemporâneo. Atua na implementação de pesquisas, na formação de pesquisadores, bem como no estabelecimento de cooperação acadêmica entre pesquisadores, alunos e instituições. Promove debates internos e recebe pesquisadores do Brasil e do exterior, concentrando as pesquisas nas discussões de gênero, raça, etnicidade, imigração, cidades, mídia e sociabilidades, economia criativa, mediações socioculturais, redes comunitárias e ativismos.

    Certificado pelo CNPQ, é liderado atualmente pelas professoras Isabel Siqueira Travancas e Lucimara Rett (ECO/UFRJ), e conta com cerca de vinte pesquisadores e mais de dez alunos. Estabeleceu parceria com o Centro de Ciências Sociais (CCS/UERJ), com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com a Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM/RJ). Vinculado ao Departamento de Teoria da Comunicação, desenvolve atualmente três linhas de pesquisa: “Culturas e Identidades”, “Estudos da Cidade e da Comunicação” e “Imagem, Estética e Poderes”.

     

    1 Outras Informações 

    17/11/2017 – Em comemoração aos 31 anos do CIEC, ocorreu no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH/UFRJ) o “Seminário Especial CIEC 31 anos”, organizado pela Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), que no mesmo ano completou seus 50 anos de história. 

     

    2 Fontes Consultadas 

    CNPq. Diretórios dos Grupos de Pesquisa no Brasil. Coordenação Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos. Disponível em: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/3195386754544907. Acesso em: 16 abr. 2020.

     

    HOLLANDA, H. B. de. Memória. In: UNIVERSIDADE Federal do Rio de Janeiro. Pós-Graduação da Escola de Comunicação. [Entrevista cedida à ECO]. Disponível em: http://www.pos.eco.ufrj.br/site/memoria_interna.php?id=42. Acesso em: 17 abr. 2020.

      

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Pós-Graduação da Escola de Comunicação. Núcleos de Pesquisa. Disponível em: http://www.pos.eco.ufrj.br/site/nucleos_de_pesquisa.php?id=1&fbclid=IwAR09sXYU2ALUJT3IXTXZPv_ELUSUu6NmoUJplg-90Q45A7zkyjEN-AJ4zT0. Acesso em: 16 abr. 2020.

     

     

     

     

     

     

  • Coleção Biblioteca Radiofônica Tude de Souza

     

    BIBLIOTECA RADIOFÔNICA TUDE DE SOUZA

    1 Breve história do Rádio:

    A primeira rádio brasileira foi fundada em abril de 1923, com sede na Academia Brasileira de Ciências (ABC), por um movimento de cientistas e intelectuais do Rio de Janeiro, tendo como principal entusiasta o médico, antropólogo e escritor Edgard Roquette-Pinto, que enxergou nessa nova tecnologia – apresentada por empresários norte-americanos – uma ferramenta para melhorar a educação no Brasil, divulgando ciência e cultura inclusive para os mais pobres e distantes. Recebeu o nome de Rádio Sociedade do Rio de Janeiro e em setembro de 1936 foi doada ao Ministério da Educação e Cultura, sob o comando do Ministro Gustavo Capanema, tornando-se Rádio MEC.

    Roquette-Pinto continuou na direção da rádio até 1937, quando foi assumida por Fernando Tude de Souza – médico, educador e jornalista brasileiro, representante cultural do MEC e o responsável por estabelecer o perfil educativo e cultural da emissora. A Rádio MEC foi a pioneira no sistema de rádios educativas oficiais no Brasil, desenvolveu diversos programas para educação básica e superior, musicais, infanto-juvenis, radioteatro, entre outros, mantendo-se como referência no país. 

    Ao longo dos anos, a emissora passou por significativas mudanças: na década de 90 foi desvinculada do Ministério da Educação e Cultura, ficando sob a tutela da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (SECOM); e em 2007, com a criação do Sistema Público de Radiodifusão, passou a ser gerida pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), empresa pública federal ligada a Secretaria de Governo da Presidência. Em 2013 a emissora mudou-se para o prédio da TV Brasil devido à interdição de sua sede, que foi condenada pelo Ministério Público por problemas em sua estrutura – prédio situado na Praça da República que abrigava a emissora desde 1942.

     

    2 SOARMEC:

    Em 1992 foi criada a Sociedade dos Amigos Ouvintes da Rádio MEC (SOARMEC), sendo a primeira sociedade de amigos voltada para uma emissora de rádio, com o objetivo de apoiar e aperfeiçoar suas atividades, além de ajudá-la a cumprir sua missão educativa, de acordo com os princípios de Roquette-Pinto. Ao longo dos anos de atividades ininterruptas, atuou em defesa da produção e da divulgação da música e do rádio brasileiro; recuperou, ampliou e divulgou o acervo da Rádio MEC; contribuiu enriquecendo sua programação, produzindo debates sobre o rádio educativo e disponibilizando informações sobre a Rádio MEC e sobre a própria associação, como o jornal impresso “Amigo Ouvinte”. Pelos serviços prestados à educação e à cultura, foi reconhecida com os títulos de Utilidade Pública Municipal (Lei 2464), Estadual (Lei 3048) e Federal (Portaria 3935), e recebeu em 2002 o prêmio Estácio de Sá em Comunicação – o mais importante na área cultural no estado do Rio de Janeiro. 

     

    3 Biblioteca Radiofônica Tude de Souza:

    A biblioteca radiofônica original existiu na emissora matriz e seu acervo foi formado por doações de Roquette-Pinto, que considerava fundamental a existência de uma biblioteca atualizada na emissora. Posteriormente, Tude de Souza também contribuiu doando importantes publicações nacionais e internacionais, enriquecendo imensamente o acervo. No entanto, a biblioteca encerrou suas atividades logo após o golpe militar de 1964, devido ao desaparecimento de todo o seu acervo.

    Atualmente, a Biblioteca Radiofônica Tude de Souza, batizada em homenagem ao memorável diretor da Rádio MEC, é a única especializada na área em todo o país. Nasceu como fruto do esforço de um grupo de diretores da SOARMEC – tendo como principal responsável o produtor e escritor Renato Rocha – que desempenharam relevante papel na defesa do legado da Rádio MEC, inclusive de seu acervo. O objetivo da associação não foi apenas o de resgatar a memória da biblioteca original, mas também o de suprir a necessidade de uma biblioteca com acervo especializado em assuntos radiofônicos e facilitar o acesso às publicações que priorizam o veículo rádio, visto que a bibliografia existente é pouca, além de se encontrar dispersa e não ser o foco das bibliotecas públicas brasileiras, nem mesmo da Biblioteca Nacional. Além de seu precioso e relevante acervo a biblioteca dispõe de um sistemático e criterioso catálogo, apresentando a relação e a sinopse de cada título existente. O acervo é formado por títulos que abrangem o universo educativo-cultural, área de atuação original da Rádio MEC, e outros títulos afins, criteriosamente selecionados. 

    Até 2013 a SOARMEC funcionava na mesma sede da Rádio MEC, mas com a interdição do prédio foi acolhida pelo Museu do Rádio, onde permaneceu até 2015, ano de desativação do Museu. Sem espaço físico para abrigar a biblioteca, parte do acervo – 786 documentos, entre livros, periódicos e material audiovisual – foi transferido para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em regime de comodato assinado em 8 de março de 2017. Tal acervo abrange as seguintes áreas:

    – Rádio e programas de rádio;

    – Comunicação;

    – Música popular brasileira;

    – Jazz e afins;

    – Personagens importantes na história do rádio;

    – Radioteatro, teatro, ficção.

     

    4 Fontes Consultadas

    AMIGO OUVINTE. Rio de Janeiro: Sociedade dos Amigos Ouvintes da Rádio MEC, n. 51, out. 2013. Disponível em: http://www.soniarabello.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Radio-MEC.pdf. Acesso em: 23 abr. 2020.

     

    MOREIRA, S. V. Emissoras educativas X sistema público brasileiro de radiodifusão: o caso da Rádio MEC do Rio de Janeiro (1936-2015). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 38.; COLÓQUIO BRASIL-ARGENTINA DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 5., 2015, Rio de Janeiro. Anais […]. Rio de Janeiro: Intercom, 2015. Disponível em: http://portalintercom.org.br/anais/nacional2015/resumos/R10-2566-1.pdf. Acesso em: 20 abr. 2020.

     

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Sistema de Bibliotecas e Informação. Assinatura de doação do acervo da Sociedade de Amigos Ouvintes da Rádio MEC (SOARMEC). Disponível em: https://www.sibi.ufrj.br/index.php/inicio/48-assinatura-de-comodato-do-acervo-sociedade-de-amigos-ouvintes-da-radio-mec-soamerc. Acesso em 20 abr. 2020.

     

     

     

  • Coleção INEP

    Com a transferência do INEP para Brasília e o encerramento de algumas atividades e serviços em 1977, grande parte do acervo da Biblioteca do CBPE foi doado ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CFCH/UFRJ). Com o apoio financeiro da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB) o acervo foi organizado e disponibilizado ao público em 1979. Para saber mais, clique nos links abaixo:

     – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

    – Anísio Spínola Teixeira (1900-1971)

    – Acervo CBPE/INEP

    – O Acervo INEP na UFRJ: 30 anos… e muita história para contar

     

     

  • Acervo CBPE/INEP

     

    Com a transferência do INEP para Brasília e o encerramento de algumas atividades e serviços em 1977, grande parte do acervo da Biblioteca do CBPE foi doado ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CFCH/UFRJ). Com o apoio financeiro da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB) o acervo foi organizado e disponibilizado ao público em 1979. 

    A partir de 1987 – ano em que ocorreu a proposta de mudança da antiga Biblioteca Central do CFCH para um novo espaço físico – tal acervo sofreu diversas movimentações. Inicialmente, foi encaixotado e transferido para a Faculdade de Letras, na Ilha do Fundão, retornando ao campus da Praia Vermelha em 1990. No entanto, como a construção do novo prédio ainda não havia sido concluída, parte do acervo foi alocado nessa instalação e outra parte no restaurante universitário, que se encontrava desativado. No ano seguinte iniciou-se o processo de abertura das caixas com o intuito de organizar progressivamente os volumes da coleção. 

    Em 1996, houve uma interrupção nesse processo e as caixas restantes foram transportadas para o prédio anexo do CFCH, onde permaneceram fechadas por dois anos. Numa nova iniciativa de organização, desta vez com foco nos periódicos, uma empresa de consultoria foi especialmente contratada para a execução desse serviço, identificando e organizando grande parte dos periódicos para, posteriormente, serem incorporados ao acervo geral. No desenvolvimento desse trabalho, foram localizados quase 4 mil livros da coleção, que foram transferidos de volta ao novo prédio.

    Visando a unificação de todo o acervo de periódicos em um único ambiente, uma série de medidas foram adotadas. A equipe da biblioteca deu início ao processo de análise e avaliação da coleção, bem como a verificação de inconsistências, danos às publicações, duplicidade de títulos e completeza das coleções. Também foram realizadas mudanças no espaço físico, como nova disposição das estantes e adequação do sistema de iluminação, e em 2002 houve a integração dos acervos de Periódicos da Coleção INEP com o da Coleção Geral da Biblioteca do CFCH.

    Os livros da coleção do INEP foram mantidos no Espaço Anísio Teixeira, pertencente à Biblioteca do CFCH, onde encontram-se atualmente disponíveis para consulta. Desde 2004, o acervo vem sendo organizado e tratado pela equipe da biblioteca com a utilização dos recursos informacionais disponíveis e outras ferramentas para melhorias e tratamento dos itens. 

    Riquíssimo e extremamente relevante para o estudo da história da educação no país, o acervo é composto por cerca de 45 mil itens, incluindo obras raras e especiais datadas dos últimos três séculos. A coleção resgata as propostas idealizadas por Anísio Teixeira, além de estimular a pesquisa e o debate acerca dos principais temas socio-educacionais. Devido a sua importância, o acervo é consultado por alunos, pesquisadores e educadores em geral, servindo de suporte às inúmeras pesquisas realizadas na área. Desde 1993 vem sendo objeto de estudo em diversos projetos e trabalhos desenvolvidos em âmbito acadêmico. A seguir, destacamos os mais relevantes: 

     

    1993 – Monografia intitulada “Catálogo preliminar de obras raras e/ou especiais da Biblioteca do INEP”, de autoria da servidora Sueli Palma Borges Paranhos, apresentada à Escola de Biblioteconomia da UNIRIO, sendo o primeiro trabalho de pesquisa na UFRJ sobre o acervo do INEP, identificando 92 títulos da coleção. Foi apresentado no III Encontro Nacional de Acervo Raro, evento paralelo ao BIBLOS 2000 – 17º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, que ocorreu nos dias 10 a 15 de abril de 1994, em Belo Horizonte.

     

    1999 – Projeto “Um olhar para o mundo: contemporaneidade de Anísio Teixeira” apresenta na Biblioteca do CFCH, entre os dias 2 de setembro e 8 de outubro, a Exposição “Contemporaneidade de Anísio Teixeira”, dando início à série de eventos comemorativos pelo seu centenário. Com este projeto, foram identificados os títulos da obra escrita do educador e também as fontes consideradas matrizes de pensamento que alimentaram suas ideias.

     

    2004 – Projeto “Espaço Anísio Teixeira: referência para pesquisa educacional no Brasil”, coordenado por Libânia Nacif Xavier, professora da Faculdade de Educação da UFRJ, e realizado com o apoio da FUJB, visando a divulgação do conjunto de livros editados pelo CBPE, INEP e MEC no período de 1955 a 1965. Foi apresentado no III Congresso Brasileiro de História de Educação.

     

    2005 – Projeto “Reestruturação de documentos do acervo da Biblioteca do CFCH: Espaço Anísio Teixeira”, que com recursos da FUJB, recuperou 100 volumes identificados pelo “Projeto Espaço Anísio Teixeira: referência para a pesquisa educacional no Brasil”.

     

    2007 – Projeto “O Acervo do INEP no Espaço Anísio Teixeira da Biblioteca do CFCH/UFRJ: proposta de organização”, que se caracterizou como projeto interinstitucional, congregando pesquisadores de três instituições – PUC/ RJ, UFRJ e UFF. O resultado deste projeto foi apresentado no I Encontro de História da Educação do Estado do Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 6 de junho.

     

    2008 – Trabalho “O acervo do INEP na UFRJ: 30 anos…e muita história pra contar”, de autoria da servidora Maria Cristina Rangel Jardim, apresentado no “II Seminário Memória, Documentação e Pesquisa: a universidade e os seus lugares de memória – SiBI/UFRJ”, relatando as principais características das obras reunidas nessa coleção e sua função social no contexto do acesso à informação em história da educação no Brasil, bem como as etapas para a realização de um trabalho de organização, preservação e indexação de cada item desta coleção.

     

    Fontes Consultadas

    BIBLIOTECA CFCH/UFRJ. Espaço Anísio Teixeira. Rio de Janeiro, 2013. Blogger. Disponível em: http://btcfchufrjbr.blogspot.com/p/espaco-anisio-teixeira.html. Acesso em 20 maio 2020. 

     

    JARDIM, M. C. R. O acervo INEP na UFRJ: 30 anos…e muita história pra contar. In: OLIVEIRA, A. J. B. de (org.). Universidade e lugares de memória. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008, p. 279-289. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/139. Acesso em 9 jun. 2020.

     

    PARANHOS, S. P. B. Divulgação e mediação da informação no blog da Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro: estudo de usos e necessidades a partir do boletim Vitrine da Memória. 2016. Dissertação (Mestrado Profissional em Biblioteconomia) – Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: http://www.repositorio-bc.unirio.br:8080/xmlui/bitstream/handle/unirio/11149/Sueli%20P%20B%20Paranhos-disserta%C3%A7%C3%A3o.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em 21 maio 2020.

     

  • Anísio Spínola Teixeira (1900-1971)

     

    Advogado, grande intelectual, educador e escritor brasileiro, nasceu em 12 de julho de 1900, na cidade de Caetité (BA). Estudou em colégios da ordem religiosa dos Jesuítas na Bahia e em 1922 formou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro (atual UFRJ). Em 1924 retorna à sua terra natal para assumir o cargo de Diretor-Geral de Instrução, a convite do governador Góes Calmon, iniciando sua trajetória na educação e na administração pública, promovendo a reforma do sistema de ensino da Bahia. Buscando aprimorar seus conhecimentos e práticas nessa área, em 1925 Anísio Teixeira vai à Europa para observar o sistema educacional de alguns países, e faz o mesmo nos Estados Unidos nos anos de 1927 e 1928, onde cursou sua pós-graduação e teve contato com as ideias do educador John Dewey, seu professor e grande influenciador, tornando-se o precursor de suas teorias no Brasil. 

    Em 1931 assume o cargo de Secretário de Educação no Rio de Janeiro, convidado pelo prefeito Pedro Ernesto, e dedica-se à reforma e ampliação do sistema educacional daquele estado. Nesse período, priorizou a formação de professores, instituiu a Rede Municipal de Educação, incentivou a criação de escolas e idealizou a Universidade do Distrito Federal (UDF), criada em 1935 quando o Rio de Janeiro ainda era a capital do país. A UDF foi sua iniciativa mais ousada, apresentando uma proposta inovadora para a época com a inauguração da Faculdade de Educação, estabelecendo a formação em nível superior para o magistério. Por ir de encontro aos ideais do governo, durou menos de 4 anos e em 1939 foi fechada e incorporada à Universidade do Brasil (atual UFRJ).

    Em 1932 fez parte do grupo de 26 intelectuais e educadores – composto por Cecília Meirelles, Roquette-Pinto, Afrânio Peixoto, Lourenço Filho, Carneiro Leão, Fernando de Azevedo, entre outros – signatários do “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, documento que apresentava propostas para a reforma do sistema educacional brasileiro, visando a democratização do ensino, defendendo uma escola única, gratuita, obrigatória, pública e laica, que atendesse todas as classes sociais. Tal manifesto é considerado um marco na história da educação, tornando-se referência para a renovação do aparelho escolar. Perseguido pelo governo Vargas, em 1935 foi obrigado a afastar-se de seu cargo e envolveu-se em atividades privadas até o ano de 1945. 

    Vivendo no exterior, em 1946 torna-se conselheiro da Unesco e no ano seguinte é convidado pelo governador Otávio Mangabeira para assumir o cargo de Secretário de Educação da Bahia. Novamente obtém êxito como administrador público, sendo o pioneiro na educação integral com a criação do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque, cuja ousada concepção pedagógica gerou repercussão internacional, servindo como modelo e inspiração até os dias atuais. Na década de 80 foi utilizada como molde para a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP’s), no Rio de Janeiro, pelo vice-governador Darcy Ribeiro. 

    Retorna ao Rio de Janeiro no ano de 1951 para exercer a função de Secretário Geral da Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (atual CAPES) e no ano seguinte assume a direção do INEP. No final da década de 50 participa ativamente defendendo a educação pública nos debates acerca da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), regulamentada em 1961. Em 1962, foi um dos fundadores da Universidade de Brasília (UnB), chegando a assumir o posto de reitor no ano seguinte, mas devido às perseguições que sofria pela ditadura militar (1964-1985), exilou-se nos Estados Unidos, onde lecionou nas Universidades de Columbia e da Califórnia. De volta ao Brasil, torna-se colunista do jornal Folha de São Paulo e consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Faleceu em março de 1971, deixando um importante legado, de uma vida inteira dedicada à educação.

     

    Fontes Consultadas

    FERRARI, M. Anísio Teixeira, o inventor da escola pública no Brasil. Nova Escola, São Paulo, 01 out. 2008. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1375/anisio-teixeira-o-inventor-da-escola-publica-no-brasil#. Acesso em: 21 maio 2020.

     

    FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Biografias. Anísio Teixeira. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/anisio_teixeira. Acesso em 18 maio 2020.

  • Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

     

    Instituído no ano de 1937 pela Lei n° 378, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, recebeu inicialmente o nome de Instituto Nacional de Pedagogia, alterado no ano seguinte pelo Decreto-Lei n° 580 para Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, e só em 2001 é nomeado definitivamente Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em homenagem ao ex-diretor que tanto contribuiu para a educação no Brasil. Sua criação ambienta-se num cenário de acontecimentos relevantes no país, ano em que é instaurado o regime político conhecido como Estado Novo – última fase da Era Vargas (1930-1945).

    Com tais mudanças e turbulências políticas, diversas áreas foram bastante afetadas, inclusive a Educação. Uma das principais características desse período foi a expansão da indústria brasileira, e visando a capacitação dos trabalhadores o Estado implantou diversos projetos de reforma educacional. Nesse contexto, o INEP foi criado com o objetivo de identificar os problemas que afetavam o ensino nacional e propor soluções por meio de políticas públicas, atuando como representante das ideias do Governo nesse âmbito.

    O pedagogo Lourenço Filho, primeiro diretor-geral do INEP, foi o responsável por estabelecer sua estrutura e dar início aos trabalhos, visando a padronização e regulamentação do sistema educacional do Brasil. Dentre as seções técnicas, destacava-se a Biblioteca Pedagógica, ferramenta imprescindível para o desenvolvimento das diversas atividades do instituto, cujo acervo foi formado inicialmente por cerca de 440 livros doados pelo próprio Lourenço Filho e pelos professores Parga Nina e Murilo Braga. Posteriormente, novas obras foram adquiridas por meio de compra e em 1944 a biblioteca já comportava mais de 8 mil exemplares.

    A primeira publicação do INEP sobre estudos educacionais foi o Boletim n°1, divulgando em 1939 os registros da situação do ensino no Brasil naquela década, quando constatou-se que 70% da população do país era analfabeta. Em 1944 é publicado o primeiro periódico, a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, considerada atualmente como a mais antiga na área da Educação, ainda em circulação. 

    Com a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo, instaurou-se no país o período conhecido como a Quarta República (1945-1964), marcado pela redemocratização, e assim como em outras áreas, a educação também dá início a um grande processo de reestruturação. A partir de 1946, o educador Murilo Braga assume a direção do INEP e elabora o Plano de Construção Escolar, inaugurando 6 mil novas escolas nas áreas urbana e rural.    

    No ano de 1952, o INEP passa a ser dirigido por Anísio Teixeira – considerado até os dias atuais como o principal idealizador das transformações que caracterizaram a educação brasileira. Seu objetivo é transformar a instituição no centro de formação de uma consciência educacional democrática, reestruturando o sistema educacional do Brasil. Para tais mudanças, apoia-se em bases científicas contando com a colaboração de intelectuais de diversas áreas, e intensifica os estudos e pesquisas aplicados à educação.  Em 1955, cria o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) situado no Rio de Janeiro e cinco Centros Regionais subordinados ao CBPE, distribuídos em outros estados e dirigidos por intelectuais de diversas áreas. O programa de reconstrução educacional idealizado por Teixeira buscava avaliar as condições culturais e as tendências de desenvolvimento de cada região do país, a fim de elaborar políticas educacionais que atendessem as demandas e necessidades apontadas pelas pesquisas.

    Buscando dar suporte aos pesquisadores e demais usuários, a Biblioteca Pedagógica foi ampliada, tanto sua coleção quanto suas atividades. No ano de 1957 seu acervo passou a contar com mais de 22 mil exemplares adquiridos por compra e doações – entre obras de referência, livros didáticos, guias de ensino, livros e periódicos brasileiros e estrangeiros na área da educação em geral. No ano seguinte suas instalações foram reformadas e modernizadas, e ao acervo foram incorporadas obras de áreas diversas. Foi considerada a melhor biblioteca especializada em educação e áreas correlatas do país, tornando-se referência para estudantes e pesquisadores do Brasil e do exterior. Na década de 70 seu acervo possuía mais de 70 mil itens, entre livros e periódicos das mais diversas áreas.

    Sob o comando de Anísio Teixeira o INEP tornou-se um órgão de prestígio e destaque no âmbito educacional, mas em 1964, com o início do regime militar, foi afastado do cargo e assumiu em seu lugar o educador Carlos Pasquale, que realizou o primeiro Censo Escolar e lançou o Anuário Brasileiro de Educação. Em 1972 a instituição foi desvinculada do Ministério da Educação e transformou-se em órgão de assessoramento da Presidência da República. 

    Ao longo dos anos, o INEP passou por diferentes administrações e sofreu diversas mudanças, como a criação e extinção de projetos, atividades e serviços. Em 1977, com a transferência definitiva do instituto para Brasília, todas as atividades implantadas durante a administração de Anísio Teixeira foram encerradas e apenas no final da década de 90 seus princípios são resgatados pela direção do INEP, devido ao reconhecimento de seu nome na história da educação, como influenciador de gerações de educadores. Atualmente, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e sua missão é dar subsídios à formulação de políticas no âmbito da educação, visando o desenvolvimento socioeconômico do país. Atua nas áreas relacionadas à educação, no que diz respeito a avaliações, exames e indicadores da educação básica e superior; ações internacionais; estudos regionais; metas e soluções; estatísticas; biblioteca e arquivo; publicações, entre outras. 

     

    Fontes Consultadas

    BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Sobre o INEP. Brasília, 9 abr. 2020. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/historia. Acesso em 18 maio 2020.

     

    VARGAS, I. O programa de reconstrução educacional de Anísio Teixeira. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 87, n. 215, p. 97-103, jan./abr. 2006. Disponível em: http://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/2799/2534. Acesso em: 20 maio 2020.

  • Minuto da Biblioteca

    microfone podcastEste projeto foi uma ideia dos comunicadores do CFCH e da equipe da Biblioteca para ser oferecido a Rádio da UFRJ, como parte de um programa maior que engloba toda a Decania.

    Nosso objetivo é divulgar informações rápidas sobre os serviços oferecidos, coleções, dicas de pesquisa e curiosidades.

    Diante do momento de isolamento social, achamos importante divulgar estes áudios, antes mesmo, que eles possam fazer parte da grade de programação da Rádio. 

    Nosso modelo de gravação segue a ideia de Podcast, amplamente utilizado por diversos canais na web. Disponível nas principais plataformas de Podcast e também em nosso canal do YouTube com legendas.

     

     

    Quer saber mais? Clique nos links abaixo e ouça o Minuto da Biblioteca.

     

    #63 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Simone de Beauvoir

    #62 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Michel Foucault

    #61 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Carolina Maria de Jesus

    #60 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Frantz Fanon

    #59 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Povos Indígenas

    #58 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Lima Barreto

    #57 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Heloísa Teixeira

    #56 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Muniz Sodré

    #55 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – bell hooks e o feminismo

    #54 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Ruy Castro

    #53 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Darcy Ribeiro

    #52 Minuto da Biblioteca – Mergulhando no Acervo – Paulo Freire

    #51 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Gilda Alvarenga

    #50 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Érica Resende

    #49 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Zilda Martins

    #48 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Ilce Cavalcanti

    #47 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Rosa Seleta Xavier

    #46 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Ludmila Fontenele Cavalcanti

    #45 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Sueli Palma Borges Paranhos

    #44 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Maria Cristina Rangel Jardim

    #43 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Maria Celeste Simões Marques

    #42 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Mateus Thomaz Bayer

    #41 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Lilia Guimarães Pougy

    #40 Minuto da Biblioteca – A Biblioteca Faz 50 – Marcelo Macedo Corrêa e Castro

    #39 Minuto da Biblioteca – Conhecendo o SiBI

    #38 Minuto da Biblioteca – Os conselhos superiores da UFRJ (2ª parte)

    #37 Minuto da Biblioteca – Os conselhos superiores da UFRJ (1ª parte)

    #36 Minuto da Biblioteca – Como as pró-reitorias estão organizadas?

    #35 Minuto da Biblioteca – Conhecendo o site da UFRJ

    #34 Minuto da Biblioteca – Retrospectiva 2020

    #33 Minuto da Biblioteca – Consciência Negra – Profª Mônica Lima

    #32 Minuto da Biblioteca – Você conhece o Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida?

    #31 Minuto da Biblioteca – Você conhece o Centro de Referência de Mulheres da Maré – Carminha Rosa?

    #30 Minuto da Biblioteca – Você conhece a Central de Produção e Multimídia?

    #29 Minuto da Biblioteca – Você conhece a Divisão de Psicologia Aplicada?

    #28 Minuto da Biblioteca – Você conhece o Complexo de Formação de Professores?

    #27 Minuto da Biblioteca – Inventar a vida é dar-lhe novas cores. [NEPP-DH]

    #26 Minuto da Biblioteca – No país de Paulo Freire, não podemos perder a esperança. [FE]

    #25 Minuto da Biblioteca – O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma. [IP]

    #24 Minuto da Biblioteca –  A culpa da crise não é do vírus. [ESS]

    #23 Minuto da Biblioteca – A ECO é o meu amor

    #22 Minuto da Biblioteca – Nossa história com a UFRJ: equipe Biblioteca do CFCH (Especial 100 Anos UFRJ)

    #21 Minuto da Biblioteca – História dos espaços ocupados pela Biblioteca do CFCH

    #20 Minuto da Biblioteca – Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi)

    #19 Minuto da Biblioteca – Boletim Vitrine da Memória

    #18 Minuto da Biblioteca – Coleções especiais – Coleção CBPE/INEP

    #17 Minuto da Biblioteca – Coleções especiais – Coleção Biblioteca Radiofônica Tude de Souza

    #16 Minuto da Biblioteca – Coleções especiais – Coleção CIEC

    #15 Minuto da Biblioteca – Coleções especiais – Coleção Profª. Maria Inácia D’Ávila Neto

    #14 Minuto da Biblioteca – Coleções especiais – Coleção Profª. Nobuco Kameyama

    #13 Minuto da Biblioteca – Coleções especiais – Coleção Profª. Suely Souza de Almeida

    #12 Minuto da Biblioteca – Sistema de Bibliotecas e Informação – Panorama

    #11 Minuto da Biblioteca – Biblioteca Digital de Obras Raras (BDOR)

    #10 Minuto da Biblioteca – Catálogo das bibliotecas da UFRJ – Base Minerva

    #09 Minuto da Biblioteca – Portal de Periódicos da UFRJ

    #08 Minuto da Biblioteca – Normas da ABNT

    #07 Minuto da Biblioteca – Repositórios institucionais

    #06 Minuto da Biblioteca – E-books

    #05 Minuto da Biblioteca – Gerenciadores de referência

    #04 Minuto da Biblioteca – Bases de dados referenciais – Scopus e Web of Science

    #03 Minuto da Biblioteca – Bases de dados nacionais – Scielo

    #02 Minuto da Biblioteca – Pesquisa: por onde começar?

    #01 Minuto da Biblioteca – Podcast

    #00 Minuto da Biblioteca – Programa Piloto

     

    Créditos

    Ao longo de sua trajetória, o produto Minuto da Biblioteca contou com a colaboração de diferentes profissionais em atividades de concepção, curadoria, edição, produção e outras etapas de realização. Registramos nosso reconhecimento a todas as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento do projeto em seus diferentes momentos.

     

    Servidores que colaboraram para o Minuto da Biblioteca ao longo de sua trajetória: 

    Adriana Almeida; Angela Ornelas; Camila Teixeira; Erica Resende; Gilda Alvarenga; Leonardo Talone; Luis Felipe Barbedo; Marília Macedo; Vivian Mignot

     

  • Encontro com Autor

    O projeto promove encontros com autores das áreas de conhecimento atendidas pela Biblioteca do CFCH, a partir de textos disponíveis em nosso acervo. Busca apresentar as produções intelectuais dos convidados, aproximando autores, obras e comunidade acadêmica. As entrevistas são divulgadas em nossas mídias sociais, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo a Biblioteca como espaço de diálogo e difusão do conhecimento.

      

    Quer saber mais? Clique nos links abaixo e assista o Encontro com Autor.

     

    #02 Encontro com Autor – Andrea Queiroz. Livro: De Milton a Millôr: a trajetória de um jornalistaipanemense

    #01 Encontro com Autor – Arthur Bezerra. Livro: Miséria da informação:dilemas éticos da erra digital. Parte 2

    #01 Encontro com Autor – Arthur Bezerra. Livro: Miséria da informação:dilemas éticos da erra digital. Parte 1

     

     

     

    Publicado em 06/10/2026.